Red Bull Amazônia Kirimbawa
Red Bull Amazônia Kirimbawa
Nosso ciclista Ed Carlos Guedes foi participar de uma corrida muito louca feita pela Red Bull no meio da floresta amazônica! Vejam que TOP foi essa experiência!
Kirimbawa para os índios da Amazônia traduz-se em um
processo pelo qual o guerreiro, bravo e audacioso, busca sua evolução
espiritual. E para quem vive a vida enlouquecida das grandes cidades, foi
preciso um brado para entender que o Red Bull Amazônia Kirimbawa seria mais que
uma simples competição. Antes do início da competição, tribo Inhaã-Bé abençoou
os atletas da corrida com seu ritual sagrado. Foto: Marcelo Maragni - Red Bull
Content Pool.Antes do início da competição, tribo Inhaã-Bé abençoou os atletas
da corrida com seu ritual sagrado. Foi no CIGS – Centro de Instrução de Guerra
na Selva do Exército Brasileiro em Manaus, casa do Guerreiro de Selva, que o
Exército nos ensinou, rapidamente, o significado de embarcar nessa aventura e,
literalmente, desembarcar na maior Floresta do mundo. O brado? -
S E L V A. Curto e grosso. Do fundo da
alma. Um compromisso assumido em alto e bom tom por 90 dos melhores atletas
brasileiros da corrida de montanha, do mountain bike e da canoagem. Após o
sorteio dos 30 times, sendo 03 femininos, embarcamos rapidamente nos 5Ton – nome
dado aos caminhões 4×4 do Exército. Hotel? Piada. Fazer o check in no melhor
hotel de Manaus, o Tropical, foi como
ver um doce na prateleira, tocá-lo, sentir seu cheiro, e não dar uma única
beliscada. Eram 22h, aproximadamente, quando os corredores embarcaram em um
navio em direção à Tribo Inhaã-Bé, atravessando o Igarapé na margem esquerda do
Rio Negro. Depois de uma hora de navegação, foram recebidos pelos índios em um
ritual de proteção e boas vindas. As redes
montadas pelo Exército deixaram de fora os mosquitos, mas quem consegue mesmo
dormir em rede, faltando poucos minutos para o tão esperado “JÁ”? Pelo que
pesquisei, ninguém dormiu. Às 03 horas da madrugada foi dada a largada para
50km de corrida em meio à mata, inicialmente por um trecho de trilhas, seguindo
depois por estrada de terra e, no fim, novamente por trilhas, atravessando
igarapés e rios. Nós, ciclistas, tivemos sorte um pouco diferente. Nas palavras
do Campeão Brasileiro de Maratona Ed Carlos Gudes, “Se tudo der certo, nós
estamos f. Se der errado, Sinhora D’Abadia!”. Logo que subimos nos caminhões de
transporte de tropa, às 23h, um calor insuportável tomou conta do ambiente.
Imagine 30 dos melhores atletas do Brasil, acostumados a dormir cedo como
preparação para a guerra, agora sentados em um caminhão à espera do
desconhecido, suando feito tampa de chaleira. O calor foi imediatamente trocado
pelo frio quando o comboio pôs-se em movimento, Alguns tentando dormir, em vão.
Cerca de uma hora depois entramos na estrada de terra, e o motorista mostrou a
valentia do caminhão. A estrada com muita lama, erosões inacreditáveis era tão
estreita que várias árvores ficaram nos pára-lamas do Bruto. Tenso. Muito
tenso. Mas não melhorou quando chegamos à tal clareira – onde deveríamos
pernoitar. Duas barracas do Exército estavam montadas (Teto e Paredes), e
tivemos cerca de 1h para abrir os mala-bikes, montar as bikes, separar a roupa
que deveria seguir para a chegada da modalidade, preparar o material para
dormir e tentar, em vão, descansar um pouco. Uma luz acesa, caminhões
manobrados durante toda a noite. Um louco tentando contato no rádio: – P4, P4,
Clareira, copia? seguido da estática. PELAMORDEDEUS, sô, calaboca… Todos
pensavam a mesma coisa, mas só a Julyana Machado, 5x Campeã Brasileira de Maratona,
teve coragem de falar. Mas não adiantou
muita coisa. Repelente? Mosquitos adoram. Parecem gritar: – Vamo lá, cambada,
aquele careca ali tomou banho de repelente, pega ele e vamo ficá doidão… A
nuvem de mosquito chega e o cidadão corre pra dentro do saco de dormir. Em 3
minutos começa a transpiração, como se estivesse em uma sauna. Foram duas horas
no ritual Borrachudo – Sauna, até que um maluco começou a gritar: – Os
corredores estão chegando… Nunca me aprontei tão rápido na vida. O primeiro corredor
foi Fernando Bezerra da Silva, de São Paulo, com 3h15 – Pace médio de 3:55
m/km. Na floresta, da minha equipe Tambaqui eu fui o primeiro ciclista Larguei
para 86km de MTB em plena selva, desnorteado pelo processo de wake up: Aquele
grito ao pé do ouvido ainda ecoava, enquanto tentava escolher o melhor caminho.
Tudo reluz, de liso. Embora sem chuva, tudo é absolutamente molhado. Sem falar
no terreno craquelento, como se torrões de barro muito duro – argila na verdade
– estivessem espalhados na estrada. Não há linha uniforme para apontar a roda,
e o desnível entre os torrões é muito alto, chegando a 20cm! Ou seja, os
primeiros 20km foram na expectativa de uma queda fenomenal – que felizmente não
aconteceu!. Pior só os últimos 20km. Não enfrentamos nenhuma serra, mas
nada na floresta é plano. Ou estamos descendo a 60km/h, ou subindo na marcha
mais leve, peito encostado do guidão, musculatura travada. Estou louco para ver
meu Strava!Apesar de não ter rodado em trechos técnicos ou singles, todos
estávamos “lateralizados” , empenados mesmo, quando o trecho de MTB foi
finalizado. Ainda não eram 10h da manhã e o calor era algo insuportável. Ed
Carlos Guedes, fez o 11°melhor tempo com 3h 04mts 26segundo. Mas o grande desafio
foi realmente a canoagem. Seriam 45km subindo o Rio Amazonas, passando pelo
encontro das águas e contornando Manaus pelo Rio Negro. Mais de 6h em um calor
sufocante, sol inclemente, sem água para beber, navegando em busca de Postos de
Controle.pois nós tinha muita chance de ser os grandes Campeaões da primeira
edição do Red Bull Kirimbawa pois peguei do meu corredor como 4 minutos de
vantagem ao fim do meu pedal coloquei em